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Fiscais relatam devastação após desastre na mina da Vallourec

Destruição foi destacada depois de lama ter vazado e interrompido BR-040, e reparos estão sendo feitos, enquanto, na Justiça, empresa questiona auto de infração

Cenário de devastação foi descrito pelos fiscais do Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) como “visível e imediato”, depois que o Dique Lisa, operado pela mineradora do grupo Vallourec, transbordou em 8 de janeiro e milhares de metros cúbicos de lama escorreram da estrutura, paralisando a BR-040 na altura do Km 562.

Reincidente em infrações ambientais no complexo minerário Pau Branco desde 2020, um dia após o desastre foi constatada pela fiscalização vasta destruição da vegetação, solo, hábitats e espaços humanos, corpos hídricos e animais, inclusive dentro de unidades de conservação.

A Pilha Cachoeirinha, de onde se desprendeu o material sobre o dique causando o transbordo, continua em nível 2 de emergência, o que significa que os riscos de desmoronamentos ainda não estão afastados. Apesar da devastação observada in loco pelos agentes estaduais, a Vallourec recorreu administrativamente, na segunda-feira, da multa aplicada à empresa, no valor de R$ 288 milhões.

Em nota, a mineradora considerou que a penalidade foi emitida “quando ainda não era possível saber a extensão do ocorrido e os efeitos sobre o meio ambiente. Foram questionadas, portanto, premissas fáticas e normativas do auto de infração”.

No entanto,  os impactos do transbordamento estão presentes na natureza e na rotina de quem vive ou circula na região atingida. Seis pessoas de uma mesma família foram removidas de casa, localizada a um quilômetro do local do transbordamento, e estão acomodadas num imóvel alugado pela Vallourec. A Defensoria Pública de Minas Gerais atendeu outros atingidos e os representará contra a empresa.

O trecho da BR-040 entre Brumadinho e Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, que chegou a ser interditado por seis horas, é monitorado e considerado “área vermelha”, ou seja, de alto risco, uma vez que as estruturas afetadas pelo transbordamento se encontram em nível 2 do Plano de Emergência, com necessidade de reparos imediatos. Há possibilidade de rompimento caso a estabilidade das estruturas monitoradas se deteriore ao nível 3 – estágio de ruptura iminente.

Com isso, veículos e pessoas não podem parar nesse trecho da rodovia, sendo cercadas e convencidas pelos seguranças em dois pontos a deixarem o local. Esses funcionários estão em comunicação por rádio com as áreas de monitoramento das estruturas danificadas e preparados para interditar mais uma vez a estrada em caso de novos transbordamentos ou, no pior cenário, de um rompimento da barragem.

Fonte: Estado de Minas

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