Economia

Greve dos bancários: paralisação nacional afeta atendimento e pressiona bancos por reajuste

BANCOS PARARAM EM TODO O PAÍS

Bancários realizaram uma paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira (20), afetando o atendimento presencial em diversas agências do país.

Greve dos bancários: paralisação nacional afetou atendimento e pressionou bancos por reajuste

Bancários de diferentes regiões do país cruzaram os braços nesta quinta-feira (20), em uma paralisação nacional de 24 horas. O movimento ocorreu durante a Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2026 e foi convocado após o impasse nas negociações entre a categoria e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

A paralisação afetou principalmente o atendimento presencial nas agências. A adesão não foi uniforme e variou conforme a mobilização dos trabalhadores em cada cidade e região. Algumas agências permaneceram abertas, enquanto outras ficaram fechadas ou funcionaram com equipes reduzidas.

Por que os bancários fizeram a paralisação?

A principal reclamação da categoria foi a falta de uma proposta econômica considerada suficiente nas negociações.

Entre as reivindicações estavam reposição da inflação, aumento real de 5% nos salários e benefícios, valorização do piso salarial, reajuste dos vales-refeição e alimentação e melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Os trabalhadores também defendiam um piso específico para profissionais da área de tecnologia da informação.

Na oitava rodada de negociação, realizada em 18 de agosto, a Fenaban recuou de propostas que previam reajustes diferenciados por faixa salarial e o congelamento do piso de ingresso para novos bancários. O impasse, porém, continuou porque não havia sido apresentado um índice de reajuste para salários e demais verbas.

E os clientes, ficaram sem banco?

Não. A paralisação atingiu principalmente o atendimento presencial.

Pix, aplicativos, internet banking, transferências, pagamentos e caixas eletrônicos continuaram disponíveis. Casas lotéricas e correspondentes bancários também foram alternativas para determinados serviços.

A paralisação também não alterou automaticamente as datas de vencimento de contas e boletos. Por isso, clientes que tinham pagamentos previstos para aquele dia precisaram buscar alternativas para evitar multas e juros.

Um setor cada vez mais digital

A paralisação ocorreu em meio à transformação digital do sistema bancário.

Dados da Febraban indicaram que 83% das transações bancárias já eram realizadas por canais digitais, enquanto agências e caixas eletrônicos representavam uma parcela muito menor das operações.

Desde 2015, milhares de agências haviam sido fechadas e dezenas de milhares de postos de trabalho tinham sido eliminados no setor.

Os bancários, por outro lado, apontaram a alta lucratividade dos bancos como um dos argumentos para a reivindicação de melhores salários e benefícios. Dados apresentados pelo movimento sindical apontaram lucro líquido de R$ 171 bilhões do setor bancário em 2025.

O que aconteceu depois?

A paralisação de 24 horas serviu como forma de pressão para que os bancos apresentassem uma nova proposta e avançassem nas negociações.

Uma nova rodada de negociação entre representantes dos bancários e da Fenaban havia sido prevista para segunda-feira (24).

Assim, mesmo com o fim da paralisação, o impasse entre trabalhadores e bancos continuou nas negociações da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

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