Cultura

Um dia de muita tradição: Festa do Pastel de Angu reúne cultura, música e sabor no centro de Itabirito

Sem grandes atrações nacionais, talentos regionais assumiram o palco e ajudaram a transformar a festa em uma noite de muita movimentação em Itabirito.

A Festa do Pastel de Angu voltou a movimentar Itabirito neste sábado (12), em uma edição diferente das anteriores, mas que encontrou na proximidade com o público e na valorização da cultura local algumas de suas principais marcas.Realizado na Praça da Estação, no centro da cidade, o evento começou às 14h e seguiu até por volta da meia-noite.

A programação concentrada em apenas um dia foi uma das novidades desta edição, que aconteceu em um período de contenção de gastos do município.Apesar do formato mais enxuto e da ausência de grandes nomes da música nacional, a avaliação de boa parte do público foi positiva. Artistas regionais assumiram o palco e conseguiram manter a festa movimentada durante a noite, com apresentações que levaram o público a cantar, dançar e permanecer na região até o encerramento.

A programação também apostou em uma proposta que foi além dos shows. Ao longo do dia, a festa reuniu atividades para diferentes públicos, incluindo roda de capoeira, contação de histórias, brincadeiras tradicionais, oficina de cerâmica, feira de artesanato e oficinas de preparo do tradicional pastel de angu.A programação musical contou com Inconfidentes no Choro, Deyvisson e Marcelo, Janan Lazo e Samba de Rua, além da participação do Grupo Cativeiro. A agenda foi distribuída por diferentes espaços da Praça da Estação e equipamentos culturais do entorno, aproximando a festa de atividades culturais e educativas.

Dona Conceição, Nilda e Néia são as grandes vencedorasMas a principal estrela da festa continuou sendo o próprio pastel de angu.Doze barraquinhas participaram da competição gastronômica: Didi, Aparecida, Néia, Zizi, Valéria, Betinho, Rosilene, Irene, Leonel, Zarinha, Driana, Conceição e Nilda.Na categoria Pastel de Angu Raiz com Inovação, o primeiro lugar ficou com Dona Conceição, de 86 anos. Ela conquistou o prêmio de R$ 8 mil com uma combinação de linguiça caseira com abóbora.Nilda ficou em segundo lugar e recebeu R$ 7 mil. Néia terminou em terceiro, com prêmio de R$ 6 mil.Néia, porém, não ficou apenas com o terceiro lugar. Ela também venceu a categoria Pastel Tradicional e recebeu mais R$ 8 mil, tornando-se a grande vencedora da noite em número de premiações.Os pratos foram avaliados por três jurados.

A competição mantém uma das características mais importantes da festa: transformar uma receita tradicional em uma celebração da memória e da identidade de Itabirito. A história do pastel de angu está ligada à formação cultural do município e sua receita é tradicionalmente associada às escravizadas Maria Conga e Filó, no século XIX.Uma festa menor no calendário, mas grande no movimentoA redução da festa para apenas um dia também mudou a dinâmica do evento.Em vez de uma programação espalhada por vários dias, a edição de 2026 concentrou público, atividades e apresentações em um único sábado.

A mudança ocorreu em um ano marcado pelo decreto municipal de contenção de gastos, contexto que também influenciou o formato mais enxuto da programação.Mesmo com menos tempo de festa e sem atrações de projeção nacional, a movimentação nas ruas mostrou que o interesse do público pelo evento permaneceu.A localização no centro foi outro fator importante. Com a Praça da Estação recebendo a programação, bares, restaurantes, lanchonetes e outros estabelecimentos comerciais da região tiveram um movimento adicional durante a noite.Depois do encerramento oficial da festa, a região central continuou movimentada. Pessoas que participaram do evento permaneceram nos estabelecimentos do entorno durante a madrugada, prolongando o movimento iniciado pela programação.Cultura local como protagonista

A edição deste ano também deixou uma impressão diferente ao colocar os artistas e produtores culturais da própria região no centro da programação.Sem depender de grandes atrações para reunir público, os shows regionais deram conta de manter a praça movimentada. O choro, o samba, a música popular e a capoeira dividiram espaço com oficinas, artesanato, atividades infantis e, naturalmente, os tradicionais pastéis de angu.A proposta fez da festa um evento menos concentrado exclusivamente no palco e mais espalhado pelos espaços culturais do entorno.Para quem participou, o resultado foi uma festa de um único dia, com menos estrutura do que em edições anteriores, mas com uma programação que conseguiu reunir gastronomia, cultura, lazer e comércio em torno de uma tradição que já faz parte da identidade de Itabirito.

No fim, a estrela continuou sendo o pastel de angu. Mas, neste ano, quem ajudou a contar a história da festa foram também os moradores, artistas, comerciantes, artesãos, cozinheiros e visitantes que ocuparam o centro da cidade ao longo do sábado e avançaram pela madrugada de domingo.

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