Literatura: Itabirito oficializa criação da Academia de Letras e abre novo capítulo para a cultura local

Matéria jornalística por Lourenzo
Itabirito (MG) — Em uma noite marcada pelo encontro entre escritores, memória e desejo de construção coletiva, Itabirito deu, em 2 de setembro de 2026, um passo importante para sua história literária. Na Casa de Cultura Maestro Dungas, cerca de 50 pessoas acompanharam a assembleia que oficializou a criação da Academia de Letras de Itabirito (ALI-MG).
Mais do que uma cerimônia de fundação, o encontro simbolizou a tentativa de transformar em instituição aquilo que a cidade já produz há décadas de maneira dispersa: literatura, pensamento, memória e expressão cultural.
A criação da Academia coloca Itabirito diante de uma nova responsabilidade. Afinal, fundar uma instituição literária é relativamente simples no papel; difícil é fazê-la permanecer viva, plural e conectada à sociedade. Uma Academia de Letras não pode existir apenas entre paredes, cadeiras e títulos. Precisa circular pela cidade, ouvir seus escritores, alcançar novos leitores e, sobretudo, não permitir que a literatura se transforme em patrimônio de poucos.
A cerimônia teve caráter restrito aos integrantes convocados para a assembleia de fundação. Na ocasião, foram discutidas e aprovadas questões fundamentais para a constituição da nova entidade, incluindo seu Estatuto Social, composição administrativa, eleição da primeira Diretoria, formação do Conselho Fiscal e definição da sede inicial.
O processo de criação vinha sendo construído anteriormente por escritores envolvidos na iniciativa, especialmente nos aspectos administrativos e burocráticos necessários para a formalização da instituição.
Um nascimento institucional
A Academia de Letras de Itabirito nasce como uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter cultural e educativo e com duração indeterminada.
Durante a assembleia, o Estatuto Social foi apresentado, discutido e aprovado por unanimidade. O documento estabelece as bases para o funcionamento e a organização da entidade.
A Assembleia Geral foi presidida por Lidiane Malagone Pimenta, que convidou José Roberto Vaz para secretariar os trabalhos.
Entre as deliberações estiveram a constituição formal da Academia, a aprovação dos membros, a análise do Estatuto, a eleição da primeira Diretoria e do Conselho Fiscal e a definição da sede inicial.
A primeira Diretoria
A primeira Diretoria da Academia de Letras de Itabirito ficou constituída por:
- João Batista dos Reis Gonçalves — presidente;
- Carlos Reinaldo de Souza Bomfim — vice-presidente;
- Soraya Cristina Dias Ferreira — primeira-secretária;
- Elves Barbosa dos Santos — segundo-secretário;
- Fábio Benigno da Silva — primeiro-tesoureiro;
- Douglas Rosendo Barbosa — segundo-tesoureiro.
O Conselho Fiscal será composto pelos membros titulares José da Silva Pires, Lilian Gomes Cremasco Paes Leme Lobo e Ivacy Simões, tendo Mário Henrique Melillo como suplente.
Uma Academia que nasce com uma pergunta
Como escritor e jornalista presente na cerimônia, acompanhei aquele momento não apenas como registro de um acontecimento, mas como alguém que também observa há algum tempo a movimentação literária de Itabirito.
E talvez a pergunta mais importante que uma Academia recém-criada precise responder não seja apenas “quem fará parte dela?”, mas “para quem ela existirá?”
Essa diferença é fundamental.
A literatura de uma cidade não pertence exclusivamente aos acadêmicos, aos escritores reconhecidos ou aos nomes que já possuem trajetória. Ela também está nas escolas, nos bairros, nas bibliotecas, nos cadernos guardados em gavetas, nos autores independentes, nos jovens que ainda não publicaram, nos leitores e até mesmo naqueles que acreditam não ter uma história digna de ser contada.
Se a Academia conseguir estabelecer essa ponte, sua existência poderá representar um avanço significativo para a cultura itabiritense.
Literatura, memória e identidade
A proposta apresentada é consolidar a ALI-MG como espaço de encontro entre diferentes gerações e pessoas ligadas às letras e à cultura, estimulando a produção intelectual, a circulação de ideias e a preservação da memória e da identidade cultural do município.
O presidente eleito, João Batista dos Reis Gonçalves, falou sobre a responsabilidade de assumir a função:
“Fui escolhido e indicado. É uma responsabilidade e um desafio.”
Em sua manifestação institucional, o presidente também destacou o caráter coletivo do projeto e a intenção de construir uma Academia aberta à sociedade, capaz de valorizar aqueles que contribuíram para a história local e incentivar novas gerações a produzir literatura, conhecimento e cultura.
A fala encontra um ponto essencial: uma Academia não deve ser apenas um lugar para reconhecer quem já escreveu. Deve também ajudar a criar condições para que outras pessoas possam escrever.
Vozes de quem viveu o momento
Durante o encontro, também foram ouvidos nomes que acompanharam a construção desse processo, entre eles Bárbara Kristina Gabriel Almeida, Lucilene Tacchi, Tião Jorge e Lidiane Malagone.
Em comum, os depoimentos revelaram satisfação diante da concretização de uma iniciativa que vinha sendo articulada e discutida anteriormente.
Para quem acompanha a cultura de Itabirito, há algo particularmente simbólico nesse movimento: uma cidade que possui memória, artistas e produção intelectual começa agora a organizar parte dessa história em uma estrutura institucional própria.
Mas instituições também precisam ser questionadas. Precisam se renovar. Precisam permitir divergências. Precisam compreender que cultura não se sustenta apenas pela formalidade de uma ata ou pela solenidade de uma posse.
A permanência de uma Academia será medida, no futuro, não pelo brilho de sua fundação, mas pela capacidade de continuar produzindo encontros quando a novidade passar.
Reconhecimento a duas representantes da cultura
A assembleia também reservou espaço para homenagens.
Por decisão unânime, Zaíra Melillo Martins foi escolhida como Presidente Honorária da Academia de Letras de Itabirito – ALI-MG.
Também por unanimidade, Nancy Silveira de Andrade Alves foi escolhida como primeira Membro Honorária da Academia.
As escolhas foram justificadas pelo reconhecimento aos relevantes serviços prestados à literatura e à própria construção da Academia.
Fotos: @omeninolourenzo




















