Netinho, um dos principais cantores do axé music, morre aos 60 anos

O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador, na Bahia. Um dos nomes conhecidos do axé music, o artista enfrentava um câncer do sistema linfático há mais de um ano. Segundo a assessoria, o linfoma não Hodgkin do tipo B evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Por desejo do cantor, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
Netinho ficou conhecido nacionalmente por sucessos como “Beijo na Boca”, “Fim de Semana” e, principalmente, “Milla”, música lançada em 1996 que se tornou um dos símbolos do axé music e um dos maiores hits de sua carreira.
O artista anunciou o diagnóstico de câncer em março de 2025, depois de ser internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, com fortes dores nas pernas. Durante o tratamento, compartilhou informações sobre sua saúde e as etapas do acompanhamento médico nas redes sociais.
Trajetória na música
Netinho nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Aos 10 anos, mudou-se com a família para Salvador, onde começou a desenvolver sua relação com a música. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão, presente da mãe. Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), conciliando os estudos com apresentações musicais.
Antes de alcançar o sucesso, tocou em escolas e bares, com repertório de música popular brasileira e bossa nova. Em 1988, estreou como vocalista da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. No mesmo ano, ganhou projeção nacional com “Beijo na Boca”, dando início a uma sequência de sucessos, entre eles “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida É Festa”.
Três anos depois de iniciar a carreira solo, lançou “Milla”, em 1996. A canção consolidou seu nome entre os principais artistas do axé music e contribuiu para levar o gênero a públicos de diferentes regiões do Brasil e do exterior. Netinho também realizou apresentações internacionais, incluindo shows na Itália e no Chile.
Além da carreira como cantor, investiu no setor musical. No Rio de Janeiro, abriu um estúdio de gravação e mixagem que recebeu artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Também criou um selo voltado ao lançamento de novos artistas baianos.
Entre 1997 e 2003, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna Trindade. Em 2010, falou publicamente sobre sua bissexualidade.
Problemas de saúde
Em 2013, Netinho sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que provocaram complicações e afetaram sua voz, instrumento central de seu trabalho. Em razão dos problemas de saúde, ficou quatro anos sem se apresentar no Carnaval de Salvador.
Após um período de recuperação, retomou gradualmente as atividades artísticas e voltou a se apresentar. Em 2025, com o diagnóstico de linfoma, iniciou uma nova etapa de tratamento, que acompanhou e divulgou publicamente.
A morte de Netinho encerra a trajetória de um artista que marcou a história do axé music, especialmente com “Milla”, canção que permanece associada à identidade musical do Carnaval baiano.
















