
A Justiça de Minas Gerais determinou o encerramento do processo de recuperação judicial da Samarco, segundo informou a própria companhia nesta terça-feira (12/8). A decisão foi tomada pelo juiz Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, na última segunda-feira (11/8), atendendo a pedido feito pela mineradora.
A Samarco entrou em recuperação judicial em abril de 2021 e teve seu plano aprovado em agosto de 2023. Ao longo do processo, a empresa reestruturou dívidas superiores a R$ 50 bilhões com cerca de 10 mil credores. Atualmente, opera com 60% da capacidade instalada e projeta atingir 100% até 2028, com produção estimada entre 26 e 27 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro.
Para o juiz, todos os requisitos legais foram cumpridos e a manutenção do processo poderia dificultar o acesso a crédito e investimentos, prejudicando a retomada das operações. A Samarco destacou que a conclusão marca um “passo importante para o reequilíbrio econômico-financeiro” e reafirmou o compromisso com o cumprimento das obrigações previstas no plano.
No segundo trimestre deste ano, a mineradora registrou prejuízo líquido de US$ 1,69 bilhão, revertendo o lucro de US$ 1,38 bilhão obtido no mesmo período de 2024. O resultado foi afetado principalmente por variação cambial e provisões relacionadas a obrigações de reparação.
A Samarco interrompeu suas atividades em 2015, após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que deixou 19 mortos e causou o maior desastre ambiental do país. As operações foram retomadas parcialmente em 2020. Em outubro de 2024, a empresa e suas controladoras Vale e BHP firmaram acordo de R$ 170 bilhões com autoridades para reparação de danos, a serem pagos em 20 anos.
Formada por uma joint venture entre Vale e BHP Brasil, a Samarco mantém operações em Minas Gerais e no Espírito Santo, com destaque para os complexos de Germano e Ubu.














