
A morte do idoso Valdir José Barbosa, conhecido como Moacir, na Casa de Repouso Santa Luiza de Marilac, em Itabirito, gerou indignação entre pessoas que alegam ser parte de sua família. O relato é de que esses parentes não teriam sido comunicados sobre o falecimento do idoso. O velório e o sepultamento ocorreram nessa quarta-feira (08).
Segundo relato do filho de uma enteada do idoso, a família só tomou conhecimento da morte por meio de uma publicação em um grupo de Facebook chamado Notas de Falecimento Itabirito e região. A postagem foi realizada após o sepultamento, e como a família não foi informada do óbito pela Casa de Repouso, os parentes ficaram impossibilitados de participar do velório e enterro.
A situação causou revolta, especialmente porque, segundo o relato, a mãe do familiar que entrou em contato com o Sou Notícia, que era enteada do idoso, mantinha vínculo afetivo com ele.
Ao buscar esclarecimentos junto à instituição, o familiar afirma ter sido atendido inicialmente de forma educada por uma funcionária. Porém, posteriormente, teria recebido uma ligação da assistente social, que, segundo ele, adotou postura rude, nervosa e hostil durante a conversa.
De acordo com o relato, durante o diálogo, a profissional teria questionado a presença da família na vida do idoso, afirmado que não havia registros de visitas e respondido de maneira ríspida às cobranças sobre a falta de comunicação. O familiar também relatou que a assistente social teria dito que ele poderia “gravar para o inferno” ao ser informado de que a ligação estava sendo registrada.
A família afirma que não busca compensação financeira, mas apenas esclarecimentos e responsabilização pela falta de comunicação. Segundo o familiar, o principal objetivo é que situações semelhantes não se repitam.
Vereador Anderson do Sou Notícia se manifesta
O vereador Anderson do Sou Notícia (PL) também demonstrou indignação diante da situação. Segundo ele, a postura atribuída à assistente social foi incorreta e inadequada, especialmente por se tratar de um momento de luto para a família. O parlamentar destacou ainda que a Casa de Repouso recebe recursos financeiros provenientes de emendas impositivas de vereadores da Câmara Municipal de Itabirito, além de apoio da Prefeitura, empresários e membros da sociedade civil, o que, segundo ele, reforça a necessidade de um atendimento mais humanizado e respeitoso.
Vale ressaltar que o vereador Anderson do Sou Notícia é autor da Lei Municipal nº 3.893/2023, que instituiu em Itabirito o Programa de Atendimento Humanizado na área da saúde. A legislação estabelece que os serviços públicos de saúde realizados total ou parcialmente às custas do Sistema Único de Saúde (SUS) devem seguir princípios como humanidade, solidariedade, eficiência e isonomia, reforçando a importância do acolhimento adequado, principalmente em situações sensíveis como o falecimento de pacientes.
Casa de Repouso se posiciona
O Sou Notícia entrou em contato com a Casa de Repouso Santa Luiza de Marilac para buscar entendimento sobre os fatos narrados.
Segundo a coordenação da Casa de Repouso, o idoso estava na instituição há 6 anos, estando lúcido por todo o tempo até seu falecimento. Durante esse período, nunca teria ocorrido visitação das pessoas que agora alegam que não foram comunicadas sobre a morte.
A Casa de Repouso informou que a pessoa atribuída como enteada nunca visitou o senhor Valdir e, por isso, a instituição sequer tinha seu contato ou sabia de sua existência, razão pela qual não houve uma comunicação formal sobre o falecimento.
Ainda de acordo com a coordenação da instituição, apenas uma amiga do idoso tinha o hábito de visitá-lo, juntamente com seus familiares, participando inclusive de eventos e atividades realizadas na Casa de Repouso.
A informação recebida pelo Sou Notícia é de que o único registro familiar que constava nos dados do senhor Valdir era de uma ex-exposa, que hoje mora em São Paulo, com a qual ele teria mantido um relacionamento até meados de 2020.
Conforme a coordenação da Casa de Repouso, o contato do familiar que alega ser filho da enteada do idoso só aconteceu após a morte. Antes disso, nem ele, nem sua mãe constam nos registros de visitação que a instituição possui para controle de quem de fato frequenta a unidade.
A coordenadora da Casa de Repouso afirmou ao Sou Notícia que estava próxima à assistente social no momento da conversa com o familiar e informou que além da profissional em questão, outros trabalhadores da instituição também se indignaram com a situação, haja visto que, diante das alegações, o indivíduo em questão sequer visitava o idoso e não havia conhecimento da Casa de Repouso sobre a existência dessa família.
Outro dado relatato é de que o idoso fazia tratamento de hemodiálise e estava com problemas vasculares. Durante esse período, a Casa de Repouso teria assumido os gastos com o tratamento do idoso e, novamente, nunca houve contato de supostos familiares para saber sobre a situação do senhor Valdir.














