Educação brasileira melhora, mas aprendizagem ainda preocupa: português e matemática seguem como desafios
Educação Brasileira

O Brasil avançou nos indicadores da educação básica, mas os resultados mostram que muitos estudantes chegam às etapas finais da escola sem dominar plenamente habilidades fundamentais de leitura, interpretação e resolução de problemas.
Os dados mais recentes do Ideb 2025, divulgados pelo Inep, mostram uma melhora em todas as etapas da educação básica. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a média passou de 6,0 para 6,3 entre 2023 e 2025. Nos anos finais, subiu de 5,0 para 5,3. Já no ensino médio, o avanço foi mais tímido: de 4,3 para 4,5. (Serviços e Informações do Brasil)
Mas existe um detalhe importante: melhorar a nota não significa que todos os alunos estejam aprendendo o que deveriam.
Português: ler não é apenas saber decodificar palavras
No Saeb, a avaliação de Língua Portuguesa tem como principal foco a leitura, incluindo a capacidade de compreender, analisar e interpretar diferentes textos. (Serviços e Informações do Brasil)
No 5º ano do ensino fundamental, por exemplo, a média nacional de proficiência em 2023 ficou em aproximadamente 213,9 pontos. Em 2007, era de 175,8. Houve, portanto, uma evolução importante ao longo dos anos, embora a pandemia tenha provocado uma queda e a recuperação ainda não tenha levado o país de volta ao ritmo anterior. (INEP Download)
No ensino médio, o cenário é ainda mais preocupante. Em Língua Portuguesa, a proficiência média da 3ª série ficou em 276 pontos em 2023, praticamente estável em relação a 2021 e abaixo dos 278 pontos registrados em 2019. Além disso, 19,3% dos estudantes estavam abaixo do nível 1 de proficiência. (INEP Download)
E a matemática?
A situação também merece atenção.
No 9º ano, a proficiência média em Matemática chegou a 257 pontos em 2023, apenas um ponto acima de 2021 e ainda seis pontos abaixo dos 263 registrados em 2019. O próprio relatório do Inep aponta que a recuperação observada após a pandemia ainda não foi suficiente para retomar plenamente a trajetória anterior. (INEP Download)
E matemática não significa apenas fazer contas. O Saeb avalia a capacidade de resolver problemas, estabelecer relações, interpretar informações e utilizar o raciocínio matemático em situações práticas. (Serviços e Informações do Brasil)
O que isso implica na vida real?
A consequência vai muito além da sala de aula.
Um estudante que termina a educação básica com dificuldades para interpretar um texto, compreender uma informação ou resolver um problema matemático terá mais obstáculos no ensino técnico, na faculdade e também no mercado de trabalho.
Isso aparece justamente quando observamos que o desempenho melhora nos primeiros anos, mas perde força nas etapas seguintes. O Ideb 2025 confirma essa diferença: enquanto os anos iniciais chegaram a 6,3, o ensino médio ficou em 4,5.
O dado também ajuda a explicar um problema conhecido no Brasil: o aluno permanece na escola, mas nem sempre consegue transformar os anos de escolarização em aprendizagem efetiva.
Por outro lado, há exemplos que mostram que é possível mudar esse cenário. O Piauí, por exemplo, apresentou um dos maiores avanços do país no ensino médio nas últimas duas décadas, combinando aumento da proficiência, expansão do ensino integral e políticas voltadas à permanência dos estudantes. (Folha de S.Paulo)
A grande pergunta
Os números mostram que a educação brasileira está avançando. Mas está avançando rápido o suficiente?
A resposta ainda é difícil de comemorar.
Mais crianças estão na escola, os indicadores melhoraram e houve recuperação depois da pandemia. Porém, o desafio agora é fazer com que o estudante não apenas frequente a escola, mas saia dela sabendo ler, interpretar, escrever, raciocinar e resolver problemas.
Porque, no fim das contas, educação não é apenas passar de ano. É aprender o suficiente para conseguir seguir em frente.

















