Economia

O vendedor agora é influencer: como as redes sociais estão mudando a forma de comprar

O comércio está mudando — e talvez mais rápido do que muita loja física consiga acompanhar.

Se antes o consumidor entrava na loja, olhava a vitrine e conversava com o vendedor, hoje ele pode descobrir um produto enquanto assiste a um vídeo, acompanha uma live ou vê a rotina de um influencer. E, em poucos cliques, a compra está feita.

Um dos maiores exemplos dessa transformação é Virginia Fonseca. A influenciadora, que também ganhou enorme repercussão recentemente por sua relação com o jogador Vini Jr., construiu um verdadeiro império no mercado de beleza. A WePink, sua principal marca, declarou faturamento de R$ 1,3 bilhão em 2025. Já estimativas publicadas pela imprensa apontam um patrimônio pessoal de aproximadamente R$ 400 milhões

E Virginia não está sozinha. Boca Rosa, de Bianca Andrade, e outras marcas ligadas a criadoras de conteúdo mostram como a influência deixou de ser apenas publicidade e passou a fazer parte do próprio negócio.

O fenômeno ganhou ainda mais força com plataformas como TikTok Shop, Shopee e Mercado Livre. No TikTok, a mudança é especialmente evidente: o produto aparece no meio do conteúdo e pode ser comprado sem que o consumidor precise abandonar a plataforma.

Em apenas um ano no Brasil, o TikTok Shop registrou crescimento de 102 vezes no volume médio diário de vendas, enquanto o número de criadores afiliados ativos aumentou 46 vezes. Cosméticos e produtos de beleza estão entre as categorias que mais movimentam as lives de venda. 

É o chamado social commerce, ou comércio pelas redes sociais. A lógica é simples: conteúdo gera atenção, influência gera confiança e a plataforma transforma essa atenção em venda.

E isso começa a pressionar o comércio tradicional.

A loja física não desapareceu, mas precisa se reinventar. Ter um ponto comercial, colocar produtos na prateleira e esperar o consumidor entrar pela porta pode não ser mais suficiente. O lojista precisa aparecer, produzir conteúdo, criar relacionamento, oferecer uma experiência e, principalmente, entender onde seu cliente está.

A grande mudança talvez seja esta: o vendedor do futuro pode não estar atrás de um balcão. Pode estar segurando um celular, fazendo uma live para milhares de pessoas e recebendo comissão por cada venda.

O comércio não acabou. Ele simplesmente mudou de endereço — e, em muitos casos, foi parar dentro do celular.

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