
O Brasil atravessa um cenário de forte pressão financeira em diferentes setores da economia. Governo, famílias e empresas registram níveis elevados de endividamento e inadimplência, com alguns indicadores atingindo os maiores patamares de suas respectivas séries históricas.
No setor público, a dívida bruta do governo chegou a 81,93% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual representa mais do dobro do registrado cerca de uma década atrás, quando estava na casa dos 53%, e se aproxima de uma das maiores marcas da série histórica.
Entre as famílias, o avanço também chama atenção. O percentual de brasileiros endividados, que permanecia próximo de 60% até 2018, chegou a 82% atualmente, segundo os dados apresentados. A maior parte desse crescimento ocorreu a partir de 2021, levando o indicador ao maior nível desde o início da série, em 2010.
A situação das empresas completa o cenário. Atualmente, cerca de 9 milhões de CNPJs estão inadimplentes no país. Entre as companhias de capital aberto, a dívida líquida também aumentou significativamente: passou de R$ 719 bilhões para R$ 1,3 trilhão nos últimos seis anos, uma alta de aproximadamente 89%.
Pressão em diferentes setores
Os números mostram que o aumento do endividamento não está concentrado em apenas uma parcela da economia. Enquanto o governo enfrenta uma dívida pública elevada, famílias lidam com maior comprometimento financeiro e empresas enfrentam dificuldades para manter suas obrigações em dia.
O cenário também evidencia os efeitos acumulados de juros elevados, aumento do custo do crédito e dificuldades de pagamento que atingem diferentes agentes econômicos.
Embora os indicadores tenham características e metodologias diferentes, a combinação dos dados revela um ambiente de elevado comprometimento financeiro no país, com desafios para consumidores, empresas e para as contas públicas.
Imagem: Estadão | Reprodução

















