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República da Ufop nega existência de trote que teria levado estudante ao coma em Ouro Preto

Na última sexta-feira (21), a República Sinagoga, de propriedade da União e de responsabilidade da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), negou que tenha realizado um trote que levou um estudante ao coma no dia 06 de agosto, em Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais.

Em uma nota de esclarecimento publicada no Instagram, a república afirmou que as acusações são falsas e não têm respaldo probatório. A República Sinagoga disse também que repudia a prática de trotes e quaisquer abusos.

Entenda o caso

De acordo com uma reportagem do jornal Estado de Minas, o estudante teria entrado em coma dentro da república federal, durante a realização de um trote universitário, no qual foi obrigado a ingerir óleo, cachaça, molho de pimenta e molho shoyu misturados, além de baldes com pó de café que foram jogados no rosto do aluno. Ainda segundo o jornal, há suspeita de que o jovem teria sido estuprado.

O Estado de Minas afirmou, segundo relatos de médicos, que o estudante foi levado a uma unidade hospitalar em estado grave, após aspirar e se asfixiar com o líquido. O jovem teve pneumonia por aspiração e entrou em coma alcoólico. De acordo com a mãe do estudante, ele estava pálido e se debatendo quando levaram ele para a UPA.

A Polícia Civil foi acionada pelo hospital para registro de um Boletim de Ocorrência (BO) porque foram identificados resquícios de lubrificante no ânus do jovem.

Segundo o Estado de Minas, o jovem é natural de São Luís, no Maranhão, e estuda na Ufop desde 2021, quando foi aprovado no curso de Engenharia Mecânica da Ufop. Após o fim dos protocolos sanitários de enfrentamento à Covid 19 e com a retomada das aulas presenciais, o estudante passou a morar em Ouro Preto, na República Sinagoga.

Após a situação que o levou ao coma, ainda com sequelas físicas e psicológicas do abuso, o jovem trancou o curso e voltou para o Maranhão. A mãe do estudante disse ao Estado de Minas que ele está muito abatido e foi diagnosticado com Transtorno de Estresse Agudo, tendo queda de cabelo e perda parcial do movimento do pé esquerdo. O jovem também desenvolveu problemas cardíacos.

À reportagem do Estado de Minas, a mãe do estudante afirmou que entrará na Justiça contra os membros da república que realizaram o trote e contra a Ufop. A mulher relatou que médicos disseram que casos como esse são comuns na cidade. Quando ela questionou os moradores da república, eles teriam assumido que submeteram o jovem ao trote.

A família do estudante e os moradores da república teriam feito um acordo para que o caso não fosse levado ao conhecimento da Ufop, já que trotes são proibidos pela universidade. Os estudantes que residem na República Sinagoga prometeram que arcariam com os gastos do tratamento, pagando as passagens do pai e da mãe do jovem que entrou em coma, além de uma quantia de R$ 900,00 (novecentos reais).

Entretanto, o acordo foi quebrado pelos estudantes, quando eles pararam de ajudar financeiramente a família do jovem. Eles ainda teriam encaminhado uma carta à mãe do estudante, o acusando de usar drogas e de ter assediado três mulheres em Ouro Preto.

A mãe do jovem, entretanto, nega qualquer possibilidade da versão relatada via carta ser verdadeira, uma vez que foi realizado exame toxicológico enquanto o jovem estava internado e o resultado foi negativo.

O que é trote?

“O trote universitário pode ser identificado como um rito de passagem cujas violências física e psíquica são justificadas como uma tradição que deve ser perpetuada durante o processo de integração entre os calouros e os veteranos nas universidades”, segundo definição do professor Antônio Zuin, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em seu livro “O Trote na Universidade: Passagens de um Rito de Iniciação”.

Ufop se manifestou

“Na quarta-feira (19), a Universidade recebeu um e-mail do estudante, que imediatamente foi encaminhado para acolhimento pela equipe técnica de moradia e acompanhamento por assistente social. Já solicitamos a ele que encaminhe documentos para que possa ser aberto um processo administrativo disciplinar discente para possibilitar a aplicação das normas da UFOP, que proíbem o trote, de acordo com a Resolução Cuni nº 1.870. Segundo o mesmo documento, a prática de trote implicará aplicação de penalidades de advertência, suspensão ou desligamento. Questões relativas a penalizações que a Universidade pode receber devem ser respondidas pela Advocacia-Geral da União (AGU)”

Nota de esclarecimento da república

“A República Sinagoga vem por meio desta informar que tomou conhecimento sobre as alegações publicadas em matéria jornalística do jornal “O Liberal”, na data de 21/10/2022, na qual são feitas graves acusações de suposto “trote” nas dependências da República.

Incialmente, esclarecemos que as alegações são inverídicas e que foram publicadas de forma irresponsável pelo jornal, que não se incumbiu de verificar a realidade dos fatos, reproduzindo deliberadamente acusações sem respaldo probatório como se verdade fossem.

A República Sinagoga repudia veementemente a prática de trotes e quaisquer abusos na comunidade acadêmica, reiterando seu compromisso com as regras institucionais do sistema republicano.

Informamos também que as medidas cabíveis já estão sendo tomadas para elucidar os fatos e coibir a disseminação de notícias falsas.”

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