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Morre aos 92 anos Manoel Carlos, autor de “Por Amor”, “Laços de Família” e “Mulheres Apaixonadas”

Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro, Manoel Carlos, um dos autores de novelas mais queridos e influentes da televisão brasileira. Diagnosticado há seis anos com a doença de Parkinson, o escritor vivia praticamente recluso em seu apartamento. Nos últimos meses, apresentou uma piora significativa em seu estado geral, com agravamento do comprometimento motor e cognitivo.

Nascido em 14 de março de 1933, em São Paulo, Manoel Carlos Gonçalves, seu nome de batismo, deixou duas filhas: a atriz Júlia Almeida, fruto de seu casamento com Elisabety, e a roteirista e escritora Maria Carolina, do relacionamento com a ex-deputada e radialista Cidinha Campos. Maneco também era pai de Manoel Carlos Júnior, Pedro e Ricardo, todos já falecidos.

Aposentado das novelas desde 2014, quando escreveu “Em Família” para a TV Globo, Manoel Carlos integra o seleto grupo de grandes autores da história recente da emissora, ao lado de nomes como Benedito Ruy Barbosa, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Glória Perez e Walcyr Carrasco.

Embora paulista de nascimento, Maneco era um apaixonado pelo Rio de Janeiro e retratou como poucos o bairro do Leblon, onde morou e que serviu de cenário para grande parte de suas tramas. Obras como “História de Amor” (1995), “Por Amor” (1997), “Laços de Família” (2000), “Mulheres Apaixonadas” (2003) e “Em Família” (2014) ajudaram a consolidar seu estilo marcado por dramas familiares, conflitos morais e personagens femininas fortes — muitas delas eternizadas pela figura recorrente da “Helena”.

Ao longo da carreira, também dirigiu e produziu programas históricos da televisão brasileira, como “Família Trapo”, exibido na TV Record no fim dos anos 1960, “Esta Noite se Improvisa”, “O Fino da Bossa”, com Elis Regina, e a primeira fase do “Fantástico”, entre 1973 e 1976.

Filho de um comerciante industrial e de uma professora, Manoel Carlos foi enviado ainda criança para um colégio interno. Aos 14 anos, teve seu primeiro emprego como auxiliar de escritório, mas já demonstrava interesse pelas artes. Na juventude, integrou o grupo Adoradores de Minerva, que se reunia na Biblioteca Municipal de São Paulo para ler e debater teatro. Entre os integrantes estava uma então desconhecida atriz em início de carreira: Fernanda Montenegro.

Pertencente à geração que cresceu junto com a televisão brasileira, Manoel Carlos foi um dos pioneiros da TV no país. Estreou como ator aos 17 anos na TV Tupi, a primeira emissora do Brasil, e logo passou a atuar também como produtor, diretor e roteirista, iniciando uma trajetória que ajudaria a moldar a dramaturgia nacional.

Com cerca de 30 telenovelas e minisséries no currículo, Manoel Carlos, segundo o site Memória Globo, inspirou-se nos sucessos da radionovela e no aprendizado dos bastidores da televisão para consolidar um estilo próprio, marcado pelo realismo emocional e pela observação sensível das relações humanas. Seu legado permanece como um dos mais importantes da história da teledramaturgia brasileira.

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