Golpe do IPVA engana mais de 2,4 mil pessoas com site falso em MG

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (3), a Operação Contramão para combater uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes no pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Segundo as investigações, o grupo clonava o portal oficial do Governo de Minas Gerais para enganar contribuintes e desviar os valores pagos por meio de Pix.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) e pela 11ª Promotoria de Justiça com atribuições no Combate ao Crime Organizado de Belo Horizonte. Os suspeitos poderão responder pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica e organização criminosa.
De acordo com o MPMG, o esquema criminoso estaria em funcionamento desde 2024 e era intensificado nos períodos de vencimento do IPVA. Os investigados criavam páginas falsas com aparência semelhante à do portal oficial do Governo de Minas e registravam domínios contendo termos como “gov”, “detran” e “minasgerais”, com o objetivo de conferir credibilidade aos sites fraudulentos.
Ao acessar essas páginas e gerar o QR Code para pagamento, as vítimas acreditavam estar quitando o imposto regularmente. No entanto, os valores eram direcionados para empresas de fachada controladas pela organização criminosa. Posteriormente, o dinheiro era distribuído entre contas bancárias de integrantes do grupo nos estados de Goiás, Maranhão e São Paulo, além da região do Entorno do Distrito Federal.
As investigações apontam que, até o momento, foram identificadas ao menos 2.435 vítimas, com um prejuízo estimado em R$ 1.746.312,44.
Durante a operação, a Justiça expediu 14 mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão. As ações foram realizadas nas cidades de Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Luziânia (GO); Imperatriz e São Luís (MA); e São Paulo e Ribeirão Preto (SP).
Até o momento, 10 investigados foram presos. Também foram apreendidos celulares, notebooks, pendrives, cartões bancários, além de 11 papelotes de cocaína e um simulacro de arma de fogo.
Em nota, o promotor de Justiça e coordenador do Gaeciber, André Salles Dias Pinto, destacou os impactos desse tipo de crime.
“As fraudes cibernéticas se alimentam da confiança que o cidadão deposita nos canais oficiais. Quando o criminoso clona o portal do Estado, ele não subtrai apenas o valor do imposto: corrói a relação entre o contribuinte e a administração pública.”
A Operação Contramão contou com a participação de integrantes do Ministério Público de Minas Gerais, da Polícia Militar e da Polícia Civil de Minas Gerais, além do apoio das forças de segurança e dos Ministérios Públicos de Goiás, São Paulo e Maranhão.
O material apreendido será submetido à análise pericial para aprofundar as investigações. As buscas pelos demais suspeitos, que seguem foragidos, continuam. O processo tramita sob sigilo de Justiça.
















