Felca fala sobre traumas e recebe críticas após criar expectativa de revelações
Parte do público esperava denúncias políticas às vésperas do segundo turno, mas encontrou um relato pessoal sobre sofrimento psicológico; reação reacende discussão sobre empatia e expectativas nas redes.

Em meio à disputa eleitoral e à repercussão do debate da Band, realizado em um cenário de forte tensão política, o influenciador Felca anunciou que publicaria um vídeo à meia-noite de segunda para terça-feira (20). A mensagem despertou curiosidade e alimentou especulações sobre possíveis revelações envolvendo o cenário político nacional.
A expectativa ganhou força por causa do histórico do influenciador. Em agosto de 2025, seu vídeo sobre a adultização de crianças e adolescentes alcançou enorme repercussão, mobilizou o debate público e levou o tema a diferentes espaços da imprensa, incluindo o Fantástico.
Diante desse antecedente e da proximidade do segundo turno das eleições, parte dos internautas passou a esperar uma nova denúncia de grande impacto.
O que Felca revelou?
Em um vídeo com mais de uma hora de duração, Felca seguiu outro caminho. Em vez de abordar os candidatos ou apresentar denúncias políticas, falou sobre sua própria história e revelou ter fobia social.
O influenciador relatou episódios de bullying e agressões sofridas durante a infância e a adolescência, além das consequências que essas experiências tiveram em sua vida adulta. Também contou que recorria ao álcool para enfrentar situações sociais e compromissos públicos.
O depoimento marcou seu retorno ao YouTube após um longo período sem publicar vídeos na plataforma. O conteúdo também apresentou sua intenção de enfrentar gradualmente as dificuldades de interação social.
Das expectativas às críticas
A publicação provocou reações distintas. Enquanto parte do público demonstrou apoio ao relato, outros usuários manifestaram frustração por esperarem um posicionamento sobre as eleições.
Entre as manifestações que repercutiram está a de Felipe Neto, que publicou uma mensagem de irritação no X pouco depois da divulgação do vídeo: “Vai tomar no c*, né. Só isso mesmo. Uma altura dessa. Num f*de”.
Já Zé de Abreu havia levantado a possibilidade de o anúncio ser uma estratégia para atrair atenção. A proximidade entre as publicações e o vídeo alimentou novas discussões sobre as intenções do influenciador.
A reação nas redes passou a envolver não apenas o conteúdo do depoimento, mas também o momento escolhido para sua divulgação.
E a empatia, fica onde?
O episódio expõe uma contradição nas relações construídas pelas redes sociais: a mesma audiência que pode celebrar alguém por uma denúncia de grande repercussão também pode rejeitar sua fala quando ela não corresponde às próprias expectativas.
Felca criou expectativa com o anúncio de uma publicação especial, mas não prometeu explicitamente revelar um escândalo eleitoral. Ainda assim, parte do público associou o retorno ao contexto político e reagiu negativamente ao encontrar um relato sobre saúde mental.
É legítimo discutir a estratégia de divulgação, o momento escolhido e as expectativas criadas. Isso, porém, não elimina a importância do assunto apresentado nem transforma o sofrimento relatado em algo irrelevante.
No fim, fica uma pergunta: a empatia nas redes sociais depende daquilo que uma pessoa tem a oferecer ou também existe quando ela decide falar das próprias dores?
















