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Mãe e filha se reencontram após mais de 30 anos

Momento emocionante aconteceu no sábado na Casa de Repouso.

No último sábado (24), mãe e filha se reencontraram após mais de 30 anos sem contato. O momento aconteceu na Casa de Repouso Santa Luíza de Marilac – Asilo, em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais.

A empresária Gilmara Cristina da Silva, proprietária da loja Benzadeus, tomou conhecimento sobre a história de Ana Paula, que não via sua mãe há mais de três décadas. Ao Sou Notícia, Ana Paula relatou um pouco de sua história e o que motivou o distanciamento da mãe, que hoje se encontra no asilo. “Eu nasci no ano de 1978 e, naquele tempo, não tinha creche para as mães deixarem seus filhos e a Isabel (mãe de Ana Paula) morava em São Paulo, era sozinha, não tinha família e conheceu uma família. O pai dessa família era primo do meu pai biológico, que foi o progenitor junto com a Isabel. A Isabel pegou uma afeição a essa família e pediu para que a mãe dessa família tomar conta de mim, para ela conseguir trabalhar. A mulher aceitou e eu fui ficando ali. Mas a Isabel sempre me visitava. A cada quinze dias ou uma vez por mês. Ela ajudava também essa família a passar roupa, porque essa mulher tinha outros quatro filhos e eu fui criada ali como filha legítima. Nunca tiveram nenhuma objeção comigo e nenhum preconceito. Recebi muito amor dessa família. E a Isabel sempre ia me visitar. Mas, como ela era mãe solteira, pois meu pai biológico não era junto com ela, foi muito difícil para ela conciliar o trabalho e ter que cuidar de uma criança”, iniciou Ana Paula.

“Quando eu tinha de sete para oito anos ela foi a um juiz, porque essa família foi pegando afeição a mim. Eles não deixavam eu conviver com a Isabel. Era sempre eu e mais alguém durante as visitas. Havia um medo, pois ela não tinha residência fixa. Ela então foi a um juizado de menores para tentar me tirar dessa família. Tive que ir com meus pais de criação e eu me lembro de conversar com a assistente social junto com a Isabel. Ela chorava muito e dizia que eu era filha dela e que nada aconteceria. Eu, criança, não tinha aquele sentimento, por causa da pouca convivência com ela. E como ela era sozinha e meu pai biológico não compareceu a nenhuma audiência, uma assistente social foi ver onde eu morava com essa família e o juiz deu a guarda para eles até meus 18 anos. Aí ficou mais difícil ainda para a Isabel”, acrescentou.

Após a decisão judicial, mãe e filha perderam ainda mais o contato. “Dos meus sete aos 18 anos, a Isabel não podia entrar na casa. Ela chegava no portão e batia palmas. Teve um dia, um domingo bem cedo, foi a última vez que eu vi ela. Tinha uns 10 anos. Ela bateu palma de manhã e ela estava conturbada. Dali em diante eu soube que ela havia sido internada num hospital psiquiátrico. Eu acredito que não tem relação essa doença com o fato de eu ter sido criada por outra família. Ela era uma mulher sozinha. Ela me deixou ali e eu estava sendo muito bem cuidada. Acho que ela tinha que ficar em paz. Outras coisas, como antidepressivos e o cotidiano, além da solidão, foi o que fizeram ela ficar assim”, relatou Ana Paula.

Gilmara, Jacqueline, Ana Paula e Isabel após o reencontro

“Eu nunca chamei ela de mãe. Sei que ela é minha mãe mas nunca tivesse o vínculo de mãe e filha. Depois que eu fui mãe eu senti falta. Tenho dois filhos. Quando recebi o telefonema da Gilmara, já tinha aflorado em mim um desejo muito grande de que isso acontecesse. Por misericórdia de Deus e pelas minhas orações, esse desejo foi realizado. Estou muito feliz por Deus ter me permitido chegar até aqui”, concluiu Ana Paula, momentos antes de reencontrar a mãe na Casa de Repouso.

Depois de muita espera, mãe e filha ficaram frente a frente e se abraçaram. “Muita emoção poder estar aqui com todos vocês e com minha filha e meu genro. Minha filha eu sempre te amei. Não se esqueça disso”, disse Isabel, emocionada, após reencontrar sua filha. “Estou muito feliz por esse momento ter chegado. Sei que ela sofreu muito por não poder ficar comigo todos esses anos, sem compartilhar da minha vida e da vida dos meus filho. Mas, eu acredito que a oportunidade chegou. Agora, se Deus quiser, não vamos perder o contato. Estaremos sempre unidas e compartilhando uma da vida da outra”, desabafou Ana Paula.

“Estou muito emocionada. Eu não tenho mais mãe e pai. Quando chega no fim do ano da vontade de ter a família junto. Como eu gostaria muito que meus pais tivessem aqui, eu posso ajudar outras pessoas a terem. Já que ela tinha a filha em São Paulo e a mãe aqui em Itabirito, eu e a Jacqueline conversamos e tivemos a ideia de trazer a Ana Paula até aqui”, contou, emocionada, a empresária Gilmara. “Vamos fazer uma campanha solidária em dezembro para arrecadar donativos para todos os moradores”, revelou.

Equipe da Casa de Repouso se emocionou com o reencontro entre mãe e filha (Sou Notícia).

“Tem três anos que eu trabalho na Casa de Repouso e fui conhecendo o amor que precisa ter nesse lugar. Não trabalhamos somente pelo salário. Todos precisam trabalhar, mas se não tivermos amor, não acontece. Passamos por momentos muito difíceis e desagradáveis, com denúncias caluniosas. Passamos por isso de cabeça erguida. A diretoria, agora com a diretoria do Sr. Cláudio, nos acolheu e a Casa só com essa denúncia. Por incrível que pareça. Nós achamos que seria ruim, mas foi bom. Recebemos voluntários, parceiros, as doações aumentaram e o amor aumentou, porque quando fraquejamos, nós nos unimos no amor, na esperança e, principalmente, pelos idosos. Tudo que a gente faz é por eles”, contou Jacqueline Coutinho. “Cuidamos de pessoas maravilhosas como a Bel, nossa Isabel, que tem o abraço mais gostoso da Casa de Repouso. Nós chegamos juntas aqui. Até nisso combinamos. Temos uma equipe maravilhosa aqui”, acrescentou. “Somos incríveis porque cuidamos de pessoas incríveis, com histórias grandiosas dentro de uma simplicidade que é a representatividade do amor de Deus. Se é por Deus e por amor, não tem como dar errado”, finalizou  Jacqueline.

O Sou Notícia conferiu de perto o reencontro entre mãe e filha. Veja a reportagem:

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