
A Justiça manteve presos o operador de brinquedo e um dos donos do parque de diversões onde ocorreu a morte da jovem Carolina Beatriz de Deus Maciel, de 21 anos, em Itabirito. Durante audiência de custódia realizada neste domingo (12), a juíza plantonista Luiza Starling de Carvalho decidiu converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, entendendo que há indícios de homicídio doloso com dolo eventual, além de crimes de lesão corporal.
A audiência ocorreu por videoconferência na 2ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Nova Lima. Foram ouvidos o operador do brinquedo, W. B. de S., de 24 anos, e G. P. de O., de 45 anos, apontado como um dos proprietários do Minas Center Park.
Segundo a ata da audiência, obtida pelo Sou Notícia, o Ministério Público solicitou a homologação da prisão em flagrante e a conversão em preventiva, argumentando a gravidade do caso, o risco à ordem pública e a necessidade de preservação das provas.
A defesa dos investigados pediu a liberdade provisória, sustentando que se trataria de homicídio culposo, além de destacar que os envolvidos são trabalhadores, possuem bons antecedentes e teriam prestado assistência às vítimas após o acidente.
No entanto, a juíza discordou do enquadramento feito inicialmente pela autoridade policial. O delegado havia autuado o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas a magistrada entendeu que existem elementos para caracterizar homicídio doloso na modalidade de dolo eventual, quando o agente assume o risco de provocar a morte.
Na decisão, a juíza destacou que o parque estava em funcionamento sem apresentação de autorizações ou documentos que comprovassem a segurança dos brinquedos, além de relatar que o equipamento envolvido possuía apenas uma barra de contenção para as mãos, sem outros dispositivos de segurança.
De acordo com os autos, o acidente ocorreu no brinquedo conhecido como “minhocão”, quando o primeiro vagão, ocupado por quatro pessoas, descarrilou durante uma curva em alta velocidade e capotou, arremessando as vítimas ao solo. Carolina Beatriz morreu no local e outras duas pessoas ficaram feridas.
Ainda segundo a decisão, o operador do brinquedo teria afirmado que o acidente pode ter ocorrido por excesso de peso, o que, para a magistrada, reforça a hipótese de que houve assunção do risco, já que caberia a ele controlar o acesso ao equipamento.
A juíza também destacou que a prisão preventiva é necessária para evitar possível interferência nas investigações, já que os investigados teriam acesso aos equipamentos e poderiam alterar ou destruir provas, além de possível influência sobre testemunhas.
Com a decisão, W. B. de S. e G. P. de O. permanecem presos preventivamente. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

















