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Operação Ícaro III: investigação do MPMG tem como objetivo asfixiar o crime organizado em Minas Gerais

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio das Promotorias de Combate ao Crime Organizado de Juiz de Fora e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Polícia Militar, deflagrou nesta quarta-feira (6) a terceira fase da operação Ícaro. A ação tem como objetivo desmantelar a estrutura da facção criminosa Comando Vermelho na Zona da Mata mineira.

As ordens judiciais, expedidas pelas quatro Varas Criminais de Juiz de Fora, têm como foco a asfixia financeira da organização e a desarticulação de suas lideranças. Ao todo, estão sendo cumpridos mais de 200 mandados nas cidades de Juiz de Fora, Eugenópolis, Matias Barbosa e também no Rio de Janeiro. Entre eles, são 60 mandados de prisão, 80 de busca e apreensão, além de 66 ordens de sequestro de veículos e o bloqueio de aproximadamente R$ 8,4 milhões em bens e valores.

A operação atinge diferentes níveis da facção, desde lideranças estaduais concentradas em Juiz de Fora até núcleos responsáveis por lavagem de dinheiro, gerentes operacionais e os chamados “disciplinas”, que monitoram o comportamento de integrantes do grupo e até de moradores das comunidades sob influência criminosa.

De acordo com o MPMG, esta fase representa a maior operação já realizada contra a organização criminosa em Juiz de Fora. A ação é resultado de uma investigação aprofundada conduzida pelo Gaeco, que conseguiu mapear a hierarquia e o fluxo financeiro da facção. Com base nas provas reunidas, foram apresentadas nove denúncias contra diferentes núcleos e células ligadas ao Comando Vermelho, que controlam pelo menos cinco bairros da cidade.

O cumprimento dos mandados mobiliza um grande aparato das forças de segurança de Minas Gerais, com apoio da Polícia Civil e da Polícia Penal. A Polícia Militar empregou unidades especializadas da capital, como o Comando de Missões Especiais — incluindo Bope, Rotam e Choque — além da Diretoria de Operações e do Comando de Policiamento Especializado, com equipes do Gepam e do Grupo Tático Rodoviário.

Em Juiz de Fora, as ações são coordenadas por equipes do 2º, 27º e 47º Batalhões da Polícia Militar, além da 4ª Companhia Independente de Policiamento Especializado. A força-tarefa também conta com a atuação de cinco promotores de Justiça, 13 agentes do Gaeco, 40 policiais civis e 24 agentes da Polícia Penal.

O nome da operação, “Ícaro”, faz referência à estratégia investigativa: a tentativa ousada da facção de expandir sua atuação em Minas Gerais teria levado à sua própria queda. Segundo o Ministério Público, a ação integrada reforça que não haverá espaço para a consolidação de organizações criminosas externas no estado.

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