Lula foge do debate da Globo e repete jogada de 2006; Renan Santos recorre ao TSE para ocupar cadeira
Ausência de Lula reacende comparação com 2006, quando o presidente também faltou ao debate da Globo na reta final da disputa pela reeleição.

Lula repete estratégia de 2006 e não participa do debate da Globo; Renan Santos recorre à Justiça Eleitoral
O debate presidencial da TV Globo, marcado para esta quinta-feira (1º de outubro), acontecerá sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi comunicada oficialmente à emissora nesta quarta-feira e coloca novamente no centro da campanha eleitoral a estratégia de candidatos que lideram as pesquisas de evitar confrontos diretos na reta final do primeiro turno.
Lula participará, no mesmo período, de uma entrevista ao Flow Podcast. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a campanha avalia que o debate poderia transformar o presidente no principal alvo dos demais candidatos, enquanto a entrevista permite maior controle sobre o ambiente e sobre os temas abordados.
A justificativa pública apresentada pelo presidente para evitar determinados debates é a avaliação de que o atual modelo estaria ultrapassado. A decisão, porém, também é analisada por especialistas como uma estratégia de gerenciamento de risco: para candidatos que já possuem eleitorado consolidado, um desempenho positivo pode ter ganho limitado, enquanto uma declaração mal colocada ou um confronto desfavorável pode produzir grande repercussão.
O cenário guarda semelhanças com 2006. Naquele ano, Lula também disputava a reeleição e decidiu não participar do debate da Globo realizado três dias antes do primeiro turno. O presidente justificou a ausência alegando que o encontro poderia se transformar em uma arena de agressões. A cadeira destinada a Lula permaneceu vazia e os demais candidatos puderam dirigir perguntas ao candidato ausente.
A própria Memória Globo registra que o debate de 2006 reuniu Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque, enquanto Lula comunicou que não compareceria. Três dias depois, ele terminou o primeiro turno na liderança e disputou o segundo turno contra Alckmin.
Em 2026, entretanto, o debate chega à reta final da campanha em um cenário diferente. A eleição já foi marcada por sucessivas ausências dos principais candidatos em confrontos televisivos. Lula e Flávio Bolsonaro não participaram do debate da Band, em agosto, e as ausências também contribuíram para o cancelamento do debate da Record que estava previsto para setembro.
Para o debate da Globo, inicialmente foram convidados Lula, Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Depois de decisão do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, Romeu Zema (Novo) também passou a ter participação assegurada.
Flávio Bolsonaro confirmou presença. Caiado, Cury e Zema também estão confirmados para o encontro desta quinta-feira.
Outro candidato que tenta entrar no debate é Renan Santos, do partido Missão. Ele não recebeu o convite inicial da Globo porque sua legenda não alcança o número mínimo de parlamentares exigido pela legislação para participação obrigatória nos debates televisivos.
Com a confirmação da ausência de Lula, Renan acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira pedindo uma liminar que permita sua participação no debate. A defesa argumenta, entre outros pontos, que o candidato já havia participado de iniciativas da Globo durante a campanha e que a emissora deveria reavaliar a composição do encontro.
A legislação, entretanto, estabelece que candidatos de partidos ou federações que não atingem o requisito mínimo de representação parlamentar podem ser convidados pelas emissoras, mas não têm presença automaticamente assegurada. A situação de Renan, portanto, depende da decisão judicial e das regras estabelecidas pela emissora para eventual substituição.
O debate desta quinta-feira ocorre apenas três dias antes do primeiro turno. Com a ausência de Lula, a cadeira destinada ao presidente deverá permanecer vazia, e o próprio formato do programa permitirá que os candidatos presentes façam referência ao candidato ausente.
O episódio coloca novamente uma questão no centro da eleição: até que ponto a estratégia de evitar debates protege um candidato e até que ponto reduz a possibilidade de o eleitor comparar diretamente os concorrentes?
Em 2006, Lula adotou estratégia semelhante justamente na reta final de uma eleição em que buscava a reeleição. Vinte anos depois, a mesma escolha volta a aparecer no cenário eleitoral brasileiro, agora em um ambiente no qual televisão, cortes de debates e entrevistas em podcasts disputam a atenção do eleitor.
















